domingo, agosto 28, 2005

Matrix, clones, uma ilha e uma caverna

Acabo de chegar do cinema, fui assistir o filme "A ilha", com Ewan McGregor, filme muito bom, com muita ação e um ritmo legal, bem como todo filme americano de ação, mas o que me chamou a atenção como os filmes pós-matrix estão batendo numa tecla constantemente e que antes já havia sido batida e rebatida na literatura e na filosofia ? 1984, Admirável mundo novo e Alegoria da Caverna. Não sei se é cisma ou apenas coincidências, mas ao assistir Matrix, Equilibrium e agora A Ilha, só vejo essas questões a minha frente. O que é a realidade? O que é o nosso real?

Será o real algo sólido palpável, que se poder tocar, sentir, usufruir? Ou será que deixamos nos enganar por nossos sentidos? E diga-se de passagem não são mais apenas 5, mas a comunidade científica desconfia da existência de um número superior a 21 sentidos. Independente do número de sentidos que temos, eles podem falhar e passar uma informação errada ao nosso cérebro, ou podemos ser condicionados a acreditar em algo que não é real, ou que não é a realidade em si, verdadeira. Lembre-se da Revolução Russa quando Stalín para não promover desafetos politícos, mandou removê-los das fotografias. Quando se modifica a história de um povo, se modifica a sua realidade, pois somos o reflexo do nosso passado, mas isso é outra história não vem ao caso agora.
O que é real para mim pode não ser para você, porém um ponto em comum podemos ter, mas mesmo assim não temos um real absoluto. Uma cena do filme que me lembrou muito a Alegoria da Caverna é no final quando o 'véu' que encobria a realidade foi retirado, a verdadeira luz entrou onde as pessoas viviam, trazendo uma luz que cegava... Pois é, a verdade, o real quando revelado machuca e até acostumarmos com isso é complicado, pois temos que nos adaptar a essa nova realidade. A luz do conhecimento cega, pois a partir do momento que se toma aquilo como real ou verdadeiro, será muito difícil retornar ao pensamento antigo, a não ser que se mude a 'realidade'.

Vivemos um jogo onde somos as peças, algumas vivem em total desconhecimento do que há ao seu redor, outros cada vez mais buscam nos cantos da vida o seu significado... São esses que mais sofrem, pois são taxados de loucos, desajustados ou ? como se diz na Terra do Tio Sam ? losers.

Não estou procurando tecer uma teoria ou tese aqui, estou só deixando uma impressão do que vi e enxerguei no filme, ? sim, existe diferença entre ver e enxergar ? muitas questões que já foram abordados das mais diversas formas, mas que são deixadas de lado... Por qual motivo? Não sei..cada um sabe onde deve buscar a sua verdade. A minha eu sempre estou a procura e a sua?

Quando convidarem você para entrar na toca de um coelho ou escolher entre uma pílula vermelha ou uma azul, pense bem, pois é uma escolha sem volta. O conhecimento, o questionamento quando se abre espaço para eles, nunca mais eles deixam de existir... Faça a sua escolha e decida se você é um objeto ou não.