domingo, fevereiro 19, 2006

Ilustra



Hoje apenas uma imagem,...quem quiser analisar, fique a vontade, mas isso foi apenas um exercício de anatomia que depois escaniei e brinquei um pouco no PS,......

sábado, fevereiro 04, 2006

Último do Fernando Pessoa eu juro

    Eu tenho idéias e razões,
    Conheço a cor dos argumentos
    E nunca chego aos corações.

    Fernando Pessoa, 1932

Mais um do Fernando Pessoa....

    Tudo quanto penso,
    Tudo quanto sou
    É um deserto imenso
    Onde nem eu estou.

    Extensão parada
    Sem nada a estar ali,
    Areia peneirada
    Vou dar-lhe a ferroada
    Da vida que vivi.

    [...]

    Fernando Pessoa, 18-3-1935

Fernando Pessoa II

    Ah quanta melancolia!
    Quanta, quanta solidão!
    Aquela alma, que vazia,
    Que sinto inútil e fria
    Dentro do meu coração!

    Que angústia desesperada!
    Que mágoa que sabe a fim!
    Se a nau foi abandonada,
    E o cego caiu na estrada -
    Deixai-os, que é tudo assim.

    Sem sossego, sem sossego,
    Nenhum momento de meu
    Onde for que a alma emprego -
    Na estrada morreu o cego
    A nau desapareceu.

    Fernando Pessoa, 3-9-1924.

Fernando Pessoa

    Outros terão
    Um lar, quem saiba, amor, paz, um amigo.
    A inteira, negra e fria solidão
    Está comigo.

    A outros talvez
    Há alguma coisa quente, igual, afim
    No mundo real. Não chega nunca a vez
    Para mim.

    "Que importa?"
    Digo, mas só Deus sabe que o não creio.
    Nem um casual mendigo à minha porta
    Sentar-se veio.

    "Quem tem de ser?"
    Não sofre menos quem o reconhece.
    Sofre quem finge desprezar sofrer
    Pois não esquece.

    Isto até quando?
    Só tenho por consolação
    Que os olhos se me vão acostumando
    À escuridão.

    Fernando Pessoa, 13-1-1920.